Saúde
O lado oculto da baleia azul
30 abril 2017 | Saúde
Compartilhe:

Ser adolescente é estar em uma fase difícil e complicado de nossa vida. É uma fase onde passamos por diversos conflitos. É o período de transição entre a infância e a vida adulta, caracterizada por impulsos do desenvolvimento físico, mental, emocional, sexual e social por esforços do individuo para alcançar os objetivos relacionados às expectativas culturais da sociedade em que vive. É um período complicado para os adolescentes e também para seus pais, que muitas vezes revelam incapacidade em compreender e lidar com as mudanças comportamentais de seu filho.

Os adolescentes procuram sua própria identidade e questiona as regras impostas. Em nossa primeira infância, vivemos como se fosse objeto do outro: prova disso são as inúmeras vesti mentas com os dizeres: ”sou da mamãe, sou do papai, sou da dinda.” Ou seja; somos do outro. Somente no fim da infância e no começo da adolescência que fomos tomando posse do nosso corpo. Nesse ponto, vamos entendendo, (inconscientemente, porque geralmente não percebemos que pensamos assim,) que nos pertencemos a nós mesmos. Por um lado pode ser libertador, pois “se sair de mim mesmo posso fazer o que quiser da minha vida” – por outro lado isso pode ser vivido como pura angustia: “não sou de ninguém, então não há ninguém por mim.”

É nessa descoberta em torno da liberdade, solidão, que pode levar o jovem a imaginar como seria a sua morte, como seria a reação das pessoas diante da morte dele. E pode levar os jovens ao desejo de morte – não como quem quer morrer, mas como querer levar o outro sentir a sua falta. É muito comum nessa fase da vida pensar em morte. Toda a pessoa viva já pensou na morte, pensar na morte faz parte da vida.

Vida e morte são coisas claramente separadas apenas nas palavras. Assim pensar na morte faz parte da nossa constituição psíquica, é normal e não tem nada de errado com quem pensa na morte. Porém não pensamos na morte de modo uniforme, ao longo de toda a vida. Por isso é comum na adolescência tal melancolia. Neste momento todos os ensinamentos recebidos dos pais, parecem falir. Até que os adolescentes encontrem seus próprios motivos para viver, por meio dos amigos, das causas, dos amores, um luto pode surgir.

É importante nesse momento que eles expressam sua tristeza, porque vai descobrindo que seu modo de ver a vida não é exatamente o mesmo que os dos pais, caso o adolescente consiga elaborar sua tristeza dizendo o que o incomoda, isso é uma coisa – e tem solução.

Porém se ele não consegue elaborar isso, se ele não encontra palavras para expressar essa tristeza, e então se depara com o jogo da Baleia Azul, então temos um problema de solução mais difícil. Um adolescente, que até então levou ao “pé da letra” todos os ensinamentos dos pais, no momento da falência desses ensinamentos,

eles podem encontrar nesse jogo algo que substitua o que os pais disseram. E é ai que mora o perigo.

Por isso, é extremamente importante conversamos com nossos filhos adolescentes. Não sobre o jogo, mas sim sobre coisas da vida. (sobre o filme da TV, sobre propaganda, sobre coisas corriqueiras da vida.).

Longe disso que vimos é cada vez mais, pois sem ação, sem autoridades, sem carinho com os filhos, sem tempo. Ninguém substitui você na vida de seus filhos. Quando falta você (pai e mãe), seu filho buscará preencher sua ausência, com qualquer bicho da moda que apareça no momento. Muitas vezes somos nós que empurramos nossos filhos para o mundo virtual. Somos pais sem tempo, não brincamos, não rolamos no chão com nossos filhos, não sujamos a roupa com eles.

Muitas vezes, é necessário, aparecer uma baleia azul em nossas vidas, para nos acordar, e nos fazer olhar para nossos filhos, para escutarmos eles. A palavra é o único modo de elaborar, com aquilo que vira palavra podemos fazer algo, mais aquilo que não nos é dito nos torna refém dos acontecimentos. Resgate seu filho.

 

Fonte: wwwescolainternacional.g12.br

Psicológa Raquel Pasinato Pastório