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O mais antigo caminhoneiro ibirubense ainda está na ativa
30 julho 2017 | Geral
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Há mais de 50 anos atrás do volante, ele nunca se envolveu em um acidente

 

Elio Truss é tido como o caminhoneiro mais antigo ainda em atividade em Ibirubá, atividade que exerce a mais de 50 anos. Ele esteve na Redação do VR na semana passada e alegremente reviveu com emoção sua história de vida atrás da boleia do caminhão.

Truss iniciou a profissão ainda bem jovem, com apenas 20 anos de idade, no ano de 1964. Inicialmente, trabalhou como motorista na empresa do pai Carlos Truss, a Transportadora Três Mariense, com sede no município de Três de Maio. Transportava-se diversos tipos de mercadoria.

“Lembro com saudade do Bodegão da Campanha Secos e Molhados, para o qual fazíamos o transporte de roupas, arroz, feijão, banha e tudo mais o que se pode imaginar. Também lembro da mercearia do Roewer, na estrada que vai para a Várzea, antiga estrada geral que levava a Cruz Alta, Ijuí e arredores. Naquela época, aliás, a ponte da Várzea era de madeira, e as estradas, em geral, eram em sua maioria, de chão. Para ir até Porto Alegre, por exemplo, o asfalto iniciava somente em Montenegro. Para São Paulo, asfalto somente desde Lagoa Vermelha”, relembrou.

Elio fez fretes no RS por dez anos, até que o pai se aposentou e vendeu a empresa. Apaixonado pelo volante, ele decidiu seguir em frente e tornou-se profissional autônomo. Atuou oito anos como motorista de maquinários da empresa Vence Tudo. As viagens eram mais longas e cansativas, o que significa ficar mais tempo longe de casa.

Transportando grãos, conheceu as regiões Norte e Nordeste, o Mato Grosso do Sul (recém ocupado), o Paraguai e muitos outros lugares. “Em uma safra, cheguei a ficar mais de dez dias fora, quando fiz o transporte de grãos do Porto de Paranaguá até São Paulo. Mas, em outras ocasiões, chegava passar dois meses longe de casa”, contou.

À época, Truss era casado com a Dona Veleda, e tinha de partir atrás do volante e deixar os filhos em casa: Andrea, Márcio e Elio Vinicius. “Sentia muita saudade de casa e dos meus filhos, mas foi por uma boa causa. Criei todos eles e lhes proporcionei bons estudos com o dinheiro que trazia do caminhão, e isso me orgulha muito, pois hoje todos eles estão bem na vida”, disse.

Elio e a filha Andreia com o seu Mercedes 1111

Seu Elio conta com orgulho que 20 caminhões passaram em suas mãos ao longo dessas cinco décadas. O primeiro foi um Ford 1935, o segundo um Mercedes LP 321 e o terceiro um Mercedes MB 11, todos na década de 60. De lá para cá, felizmente, seus caminhões foram só melhorando.

Com 47 anos de idade, Elio aposentou-se. Há dois anos, vendeu o caminhão e tentou ficar parado por sete meses – os mais entediantes de sua vida, conta. Contudo, a paixão pela profissão fez aceitar o convite do filho Márcio para trabalhar como motorista da carreta da empresa HCC Engenharia. Desde então, transporta material elétrico e postes de Giruá, Rosário do Sul, Estrela e Santa Maria, dentre outros.

Sobre a viabilidade da profissão, o motorista foi categórico: “Hoje em dia, isso não é lucro, salvo raras exceções. Na época em que eu trabalhava, era mais fácil, pois se ganhava bem e o custo de manutenção era baixo. Hoje é o contrário, o preço do frete está ruim e o custo de manutenção é altíssimo, o que muitas vezes inviabiliza a profissão”, lamenta Elio.

Várias histórias para contar

Dentre as histórias que mais lhe marcaram atrás do volante, Truss destaca: “O que mais me orgulha nessa profissão são os inúmeros lugares e pessoas diferentes que conheci ao longo desses anos, as amizades que construí”. Orgulhosamente, afirma que em mais de 50 anos no volante, nunca se envolveu em um acidente. “A única coisa ruim que me aconteceu foi uma tentativa de assalto em Umuarama (PR), quando eu estava esperando para descarregar arroz e fui a um orelhão ligar para casa. De repente, quatro rapazes me abordaram e um deles colocou uma faca no meu pescoço. Na hora, reagi e dei um empurrão, e consegui me desvencilhar. Felizmente, não aconteceu nada de ruim”, relembra.

Aos 73 anos, hoje em uma união com Salete Teresinha Tramontini, Seu Elio, residente na Rua Reinoldo Braatz, Bairro Planalto, tem como maiores passatempos – quando está em casa – tomar aquele velho e bom chimarrão e torcer pelo seu time, o Tricolor gaúcho.

Finalizando a entrevista, afirma que aprendeu a amar a profissão, e que não consegue mais se ver parado. “Continuo trabalhando por prazer, porque realmente gosto do que faço. Enquanto tiver forças e Deus me permitir, quero continuar trabalhando na profissão que aprendi a amar. Sou um eterno apaixonado pelo volante, e parar com certeza está fora dos meus planos. Que Deus me dê ainda muita saúde para que eu possa continuar trabalhando por muitos anos”, finalizou.

Primeiro caminhão da Transportadora Três Mariense, um Ford 1935, durante desfile de 20 de setembro de 1963

Mercedes Benz MB11  foi o terceiro caminhão da empresa (desfile de 1970)