Sociedade
Orgulho LGBTQIA+: Junho, o mês da diversidade
4 junho 2021 | Sociedade
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Mês dos namorados, das festas juninas, de início do inverno para o hemisfério sul e do, tradicionalmente, início da Copa do Mundo, junho é um mês emblemático. Sua consideração para tal posição, porém, não se restringe apenas para os eventos amplamente conhecidos e exaustivamente celebrados pelo mundo. Junho, também, é um mês de luta e de celebração do respeito à vida e às mais diversas formas de amar. Junho é o mês do Orgulho LGBTQIA+.

O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em 28 de junho, relembra os levantes ocorridos no bar Stonewall Inn, na cidade de Nova York, no ano de 1969. Nessa época, a população LGBTQIA+, embora não fosse oficialmente condenada pelo governo norte-americano, era informal e cotidianamente alvo de repressão e de retenção, sendo alvo de represálias, prisões e humilhações por motivos de preconceito. Devido a isso, a própria comunidade adotava lugares específicos como ambientes que serviam de espaço de resistência e reafirmação da luta pela diversidade. Um desses lugares era o Stonewall Inn, que sempre estava sob risco de receber uma das famosas “batidas” policiais.

Na noite de 28 de junho de 1969, uma festa que acontecia no local foi interrompida por uma delas. As luzes foram acesas e os policiais separaram as pessoas presentes, para a revista, em duas filas: uma para homossexuais e outra para as “pessoas vestidas de mulher”. Porém, o que aconteceria naquela noite marcaria, para sempre, o rumo da história do movimento LGBTQIA+ no mundo.

Os frequentadores, ao contrário do que se esperava, não aceitaram a truculência policial, e se contrapuseram à abordagem, em defesa daquela população que, até então, sempre fora posta à margem da sociedade. As cerca de 200 pessoas decidiram reagir diante da decisão policial de encaminhar os presentes até uma delegacia, e sob os gritos de “gay power” (“poder gay”, em tradução literal), iniciaram uma rebelião. O bar foi incendiado e a violência tomou conta do espaço. Porém, o maior levante da história da população LGBTQIA+, até então, já estava instalado.

Nos dia seguinte, mesmo destruído, o Stonewall reabriu, e desta vez, com uma multidão maior, que ocupou as quadras vizinhas. A polícia compareceu novamente, refletindo numa batalha que foi madrugada adentro. Era a primeira vez em que lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros se uniam em um confronto público a favor de seus direitos e contra a repressão armada. Nos dias seguintes, diversas passeatas eclodiram pelos Estados Unidos, e no ano seguinte, em 1970, foram realizadas as primeiras Paradas do Orgulho LGBTQIA+.

LGBTQs são pessoas normais como quaisquer outras e que têm o direito de amar, de exercer a cidadania e de construir um futuro digno. Ser LGBTQ, mais do que lutar por respeito, é lutar pela existência. De acordo com uma pesquisa da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o assassinato de pessoas trans aumentou 41% em 2020, em comparação com o ano de 2019, com 175 mulheres trans mortas no total. O dado representa um fato grave e que demonstra que o Brasil ainda coloca essa população à margem da sociedade.

Ser LGBTQ não é um crime, tampouco uma vergonha. É uma dádiva, é um orgulho, é o privilégio de poder celebrar o amor nas suas mais diversas formas. Vergonhoso é o preconceito que, diariamente, julga, condena, faz piadas com a orientação sexual e com os gêneros das pessoas e, frequentemente, mata. Os dados estão presentes como prova.

Pode não parecer, mas os LGBTQs conseguem perceber cada piada de mau gosto, cada olhar de censura, cada sorriso amarelo, cada defesa mal feita e a sua tentativa de conserto, em seguida. E dói. Dói muito. É uma dor que atinge a existência e a integridade. É uma dor de não poder se expressar devido à sociedade que recrimina, julga, exclui de oportunidades e nos joga a uma posição subalterna. Tudo, frequentemente, em nome de uma moralidade, da defesa de “uma família”. Sendo que a essência dos LGBTQs não é destruir famílias, e sim, construir o amor.

Junho é um mês de luta. Pelo orgulho de ser quem se é, por poder se expressar, sem medo, da forma mais plena possível, por poder ter direito à proteção específica e, mais do que nunca, pelo direito de poder estarmos vivos (ou, para ser mais inclusivo: vives). Junho é o mês da diversidade, do respeito, do amor. Junho é o mês de todas as formas de amar e de ser. Junho é o mês do Orgulho LGBTQIA+.

Eduardo Rius – Bacharel em Relações
Internacionais pela UFRGS