Agricultura Ibirubá
Para obter um mel de qualidade, famílias de Ibirubá investem na apicultura
Soraia Rebelato e Eduardo Blasi assumiram desde 2016 os apiários localizados em São Sebastião e Linha Pulador Sul
31 outubro 2021 | Agricultura Ibirubá
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Sabemos que a maioria da população gosta de um mel docinho e saboroso, principalmente quando eles têm origem na “colônia”, mas o que muitos consumidores do produto não sabem é a dificuldade em produzir este mel e os desafios enfrentados pelos apicultores. Em Ibirubá, a equipe do Visão Regional encontrou um casal de jovens que decidiu seguir os passos de seus pais e continuar os investimentos na apicultura.

Para Soraia, a história com as abelhas começou em 2013, quando seu pai Levinocomprou a primeira caixa, e já a do seu esposo Eduardo vem de mais tempo, pois seu pai cria abelhas desde a década de 1990.

“Eu, Soraia, e meu pai, Levino Rebelato, começamos nossa criação de abelhas motivados pela dificuldade em comprar mel de procedência. Então, meu pai comprou uma caixa de abelhas, e após um ano,entrou um enxame, isso em 2014 na localidade de São Sebastião. Já meu sogro, Sadi Blasi, cria abelhas desde a década de 90 na Linha Pulador Sul. Desde 2016, eu e meu marido, Eduardo Blasi, assumimos os apiários, e continuamos com a tradição das famílias em produzir um mel de excelência”.

Com aproximadamente 15 colmeias, mas nem todas em produção, Soraia relatou que a maioria dos enxames é novo e ultimamente estão focados na troca das caixas mais antigas, na reconstrução dos ninhos e no fortalecimento dos enxames.Em relação às perdas, ocorreu a mortalidade de abelhas devido a traças, mas não pelo uso de produtos químicos.

Com colmeias de abelhas de ferrão, Soraia percebe a diferença a diferença nas espécies desde seu comportamento até a produção de mel.  

“Todos os nossos enxames são de abelhas com ferrão. Em São Sebastião, acreditamos que predominam enxames de abelhas africanizadas, e em Linha Pulador Sul, da espécie europeia. Percebemos essa diferença pelo comportamento. Abelhas africanizadas são mais ativas enquanto produtoras de mel e absurdamente mais agressivas quanto a defender sua colmeia, atacam mais facilmente, saem da colmeia prontas para ferroar. O choque contra o macacão (EPI) é mais violento e elas perseguem por mais tempo. Alguns artigosrelatam a necessidade de mantê-las no mínimo 400 metros longe do fluxo de pessoas, animais e residências, enquanto a espécie europeia demanda 300 metros”, explica a apicultora.

Em relação à quantidade de mel produzida e à colheita, Soraia explica:

Cada sobrecaixa que é colocada sobre oninho produz em torno de 13 kg, e obviamente, o enxame precisa ser forte, e a floração, contribuir. Realizamos a colheita por meio da centrífuga de mel, em que omel sai e os favos ficam intactos, o que não causa prejuízo de tempo para as abelhas, já que elas não precisam reconstruir. Além disso, a redução do tempo, se for comparar com a extração do mel apertando os favos, nem se compara.

Sobre a criação de abelhas e a comercialização do mel, a apicultora relata que o trabalho com as abelhas é um hobby prazeroso e o foco não está na comercialização do mel, e que esses insetos trazem grande benefícios para a natureza e,consequentemente na propriedade das famílias.

“Somos agricultores e praticamos a apicultura como hobbie. Nosso foco não está na comercialização e não temos este objetivo para o futuro. Como forma de controle, eu faço o registro de tudo relacionado ao apiário, tal como a data da compra de alguma caixa, data aproximada em que o enxame foi pego, quantas colheitas foram feitas e a quantidade (em quilos). Acreditamos que criar abelhas não é simplesmente colher mel. Precisamos criar abelhas de forma racional, dando condições para que elas executem sua função na natureza e as auxiliando também.O denominado ‘urso nos cursos de apicultura é aquele que apenas extrai, e nãopodemos agir assim! Precisamos pensar na sustentabilidade como um todo. E, com toda certeza, a produção de tudo o que há na propriedade se intensifica. Este animal tão pequenino desempenha o papel de polinizar, de dar vida a tudo na natureza. Alguns estudos relatam que culturas que dependem da polinização podem ter redução de 40% a 100% da produção, caso não haja a polinização das flores. Sobre exercer a apicultura, [digo que] é uma grande paixão, me sinto realizada, é incrível o sentimento ao vestir o meu uniforme branco de trabalho (EPI’s) e chegar da forma mais próxima e segura que há das abelhas”.

Questionada sobre os desafios em se tornar apicultora, Soraia relata:

Existem vários desafios, a começar pelo tempo hábil que se dedica às abelhas, pois é um trabalho demorado, e muitos apicultores não buscam aprender coisas novas, fazendo cursos, inovando no manuseio. A sociedade precisa se conscientizar de que todos somos responsáveis. Um exemplo disso é não usando produtos prejudiciais às abelhas em tempos de florada.

E para encerrar a reportagem, a apicultora deixa um conselho para quem deseja investir na apicultura:

Vejo a criação de abelhas sem ferrão se intensificando, inclusive no meio urbano, e seja qual for a espécie, com ou sem ferrão, invista em conhecimento, estruture-se para trabalhar de forma mais rápida e segura. Não foque apenas na produção e, acima de tudo, AME o que faz!.