Geral
Perfil: Diná Rosa Aroldi
30 abril 2017 | Geral
Compartilhe:

Em 21 de abril foi comemorado o Dia do Policial Civil. Com atuação destacada desde que chegou à cidade, a Delegada de Polícia Diná Rosa Aroldi falou esta semana ao VR de sua vida pessoal e de como é o trabalho na DP de Ibirubá. Ela completa dez anos de atuação no município dia 3 de agosto.

Nascida em 24/04/1976 em Santa Bárbara do Sul (41 anos), Diná morou com a família em Saldanha Marinho desde a infância. Filha de Zaldir João Aroldi e Leoni Pezzini Aroldi, já falecida, ela é irmã mais velha de Renan e de Félix.

Quando criança, sonhava ser psicóloga, mas apaixonou-se pela área do Direito Penal ao cursar a faculdade, na Unicruz. Formou-se no ano de 1999 e decidiu seguir carreira. Após passar em concursos para o Ministério Público (MP), trabalhou como assistente durante algum tempo em Porto Alegre, onde passou nas diversas fases do concurso para Delegada de Polícia. A Academia de Polícia deu a certeza de que era o que queria fazer.

Desde 2004, exerce atua no cargo de delegada. Ficou três anos em Tapejara antes de ser transferida para Ibirubá.

5SOCIALdiná(2)

Família: Diná com a filha Cecília e o esposo Cipriano

Diná casou-se há 13 em Porto Alegre, com o também policial civil (Inspetor) Cipriano de Souza – eles se conheciam há quase 20 anos. O casal fixou residência junto ao Bairro Pôr do Sol logo que chegou em Ibirubá, e tem uma filha, a bela Cecília, de cinco anos de idade.

A policial revelou que um de seus passatempos preferidos é assistir filmes e séries na Netflix, especialmente “Breaking Bad”, com a temática do tráfico de drogas.  Ainda, revelou gostar muito das belíssimas praias do Rio Grande do Norte e que sonha conhecer a Grécia em um cruzeiro. Confira a entrevista:

 

A sra. lembra quais foram as primeiras impressões quando se estabeleceu na região? Essa percepção mudou com o decorrer do tempo?

Na visão policial, quando vim para cá me apavorei com os tipos de delitos que tinha na cidade, bem como o número de procedimentos instaurados na delegacia. Muitos furtos a veículos, muitos furtos a residências, e o tráfico de drogas também era uma questão muito complicada. Não que hoje não seja, mas já conseguimos estancar algumas coisas. Desde que cheguei me preocupei com isso, e começamos a dar ênfase no combate ao tráfico de drogas, para que consequentemente esses outros crimes também fossem diminuindo. E realmente diminuíram. Começamos a fazer várias prisões, foram coisas que conseguimos ir contornando e melhorando, não que não se tenha muito ainda por fazer, mas quando cheguei aqui o número desses crimes era enorme, e pessoas que deveriam estar presas não estavam. Poderíamos fazer mais, mas aquilo que se pretende fazer estamos conseguindo, também, é claro, com a ajuda da comunidade. A cidade hoje está menos violenta, conseguimos dar uma resposta maior para a população. Há tempos atrás, o respaldo não era tão grande, mas felizmente isso mudou.

 

Talvez as questões de gênero nunca tenham ganhado tanto debate no Brasil. Como mulher, como é conduzir um trabalho que dê a resposta que a sociedade espera?

Não é fácil, porque todos esperam muito da Polícia e têm uma opinião formada sobre a nossa instituição, e por isso mesmo não é fácil dar a resposta esperada. Mas eu sempre peço que Deus me ilumine, tenho muita fé, de que eu consiga fazer um trabalho bom. Tento fazer tudo pelo correto, pelo certo, pelo justo, buscando sempre fazer o melhor. Faço isso porque eu realmente gosto, me identifico com a profissão que escolhi. E, fazendo aquilo que eu gosto, parece que as coisas acontecem, elas fluem melhor e positivamente. Hoje nós, mulheres, ainda somos vistas dentro da instituição com um olhar diferente, e por isso sempre temos que mostrar e provar diariamente que somos capazes. No início, era mais difícil, claro, até porque eu tinha só 28 anos de idade quando entrei na academia (de Polícia), e era muito complicado assumir uma função que é extremamente masculina e ainda por cima comandar homens, que são maioria, e que tinham quase a idade do meu pai. Comandar não é fácil, até hoje não é fácil. Mas, temos que ter um tato feminino, e é aí que entra a sensibilidade feminina, que nos diferencia dos policiais homens: saber lidar com a pessoa, ter a sensibilidade em saber quando o colega não está bem e oferecer ajuda. Assim, se vai ganhando a confiança deles aos poucos.

 

A impressão que temos é de que o trabalho da Polícia ganha um apoio irrestrito. A sra. também percebe assim? Poderia falar da importância da integração entre a instituição com a comunidade?

De uns anos para cá, a Polícia tem sido vista como uma grande amiga das pessoas, até porque anteriormente éramos vistos até como bandidos na sociedade, as pessoas tinham medo da Polícia. E essa integração vem crescendo muito, até pela mudança dentro da instituição, de mostrar que a Polícia é amiga da sociedade e trabalha para a sociedade. Quem não gosta de nós é porque está praticando algo que não é correto, que não está dentro da lei. As pessoas corretas e sérias apóiam nossas ações. A integração é importante, e aqui em Ibirubá sinto isso. Como é importante termos o apoio para que possamos fazer um trabalho bom e, consequentemente, ganhar a confiança das pessoas, que nos ajudam naquilo que precisamos, trazendo informações e denúncias. Todos os dias recebemos denúncias, anônimas ou não, de fatos que vem acontecendo na cidade para que possamos auxiliar a comunidade, e essa integração é de suma importância para o nosso trabalho.

 

Por assim dizer, a sra. escolheu uma profissão difícil, onde lida diariamente com conflitos, com problemas. Como é conviver com a injustiça e com as barbaridades que as pessoas cometem?

Às vezes é muito revoltante. Mas aí tenho que colocar meu lado profissional em prática e tentar ajudar aquela pessoa que está em conflito, fazer com que ela pare de praticar aquilo que está fazendo. Me revolto com o que a pessoa está fazendo sim, mas paro, respiro e penso que essa pessoa também precisa de ajuda, assim como a vítima. É necessário um olhar especial, para ver o lado humano. E isso vai especialmente da mulher, que tem uma visão maior acerca dessas situações. Por exemplo, talvez o estuprador de hoje tenha sido estuprado durante a infância, e o nosso trabalho, além de punir, é oferecer ajuda, até para que ele não volte a cometer o mesmo delito novamente.

 

Geralmente, a segurança é como a saúde: só é lembrada quando falta. Como é conciliar a necessidade de fazer cumprir a lei com o aspecto humanista, presente em cada um de nós? Além do que, as pessoas geralmente levam tudo para o lado pessoal…

É importante fazer com que as pessoas confiem em nós, assim como precisam confiar no médico quando estão doentes. Tentar fazer o melhor, ajudar as pessoas de alguma forma e fazer um trabalho preventivo faz com que consigamos conciliar essa questão, e isso faz com que as pessoas consequentemente se tornem um pouco melhores.

 

A sra. acredita que nossa sociedade está construindo um mundo melhor?

Acredito. E acredito muito, senão ia ter que soltar as minhas algemas, a minha carreira, ir embora e entregar as chaves da Delegacia. Acredito que estamos ajudando nossos filhos a construir um mundo melhor, e que ainda consigamos fazer com que o mundo seja melhor, não agora, pois nossa geração é complicada, mas daqui uns 15, 20 anos, pois estamos mudando a mentalidade de nossas crianças de uma forma positiva.

5SOCIALdiná(1)

“Agradeço muito a receptividade que tive em Ibirubá. O que não encontrei em Tapejara, encontrei aqui. Sempre fui muito acolhida por essa cidade, e, por isso mesmo, quero criar minha filha aqui, pois é uma cidade com uma qualidade de vida muito boa. Gostaria de agradecer a receptividade e confiança da comunidade, pois sinto que as pessoas vibram quando fizemos um trabalho bom, e não há nada melhor do que sentir esse afeto e esse carinho, ainda mais exercendo uma profissão tão perigosa e arriscada, tentando resolver os problemas das pessoas. Quero dizer que é muito bom se sentir acolhida, e agradeço de coração à Comunidade Ibirubense”.

Foto tem destaque: Delegada recebeu título de Cidadã Ibirubense em 2016