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Perfil: Lara Mombelli
21 maio 2017 | Geral
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Formada em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), com residência médica em Dermatologia pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a taperense Lara Mombelli, 32, conta ter escolhido uma pequena cidade medieval na região do Marche, na Itália, onde espera o término do processo de cidadania italiana.

O que a levou para a Itália?

Estou na Itália desde o final de março desse ano. Vim em busca de aperfeiçoamento técnico em dermatoscopia na cidade de Napoli, e em dermatologia pediátrica, em Milão.

Também para conhecer um pouco mais do país de onde vieram alguns de meus ancestrais e melhorar o idioma italiano. Em Tapera há muitos descendentes de italianos e alemães, e a cidade sempre valorizou a história dos imigrantes. Minhas primeiras aulas de italiano foram no Instituto Nossa Senhora Imaculada, e muitas pessoas se surpreendem quando eu conto que tive italiano no (ensino) Primário. Acho que veio daí o interesse em vir para cá. Pretendo conhecer também a cidade de Cremona, berço da Família Mombelli. O interessante, fazendo um paralelo, é que a Itália foi um país de milhões de emigrantes no século passado e hoje em dia está no centro da crise imigratória europeia.

Em Napoli dividi residência com uma amiga e colega endocrinologista, que também veio à Itália para aperfeiçoamento na sua área de atuação. Em Milão, morarei sozinha.

Como é viver em uma cultura diferente, adquirindo novos hábitos?

Ainda estou há pouco tempo aqui para conhecer a fundo os costumes locais. Claro que no início ainda existe um pouco da barreira linguística, o que rende algumas situações engraçadas. Acho que o mais interessante é isso, a gente sai bastante da zona de conforto. Tudo está em uma ou duas malas, você acaba dependendo muitas vezes da ajuda de estranhos – e como isso é importante, tem que descobrir sozinho como fazer as coisas, como deve se portar, etc. Mas os italianos são muito receptivos e calorosos.

Profissionalmente, você está onde sempre quis?

Não saberia dizer onde sempre quis estar, mas sei como eu quero ser como profissional e mesmo acreditando que muito já conquistei, sempre se tem o que melhorar. Mas tenho planos para o futuro. Meu objetivo mais próximo é concluir esse período de fellowship na Itália.

Durante este tempo (geralmente mais de um ano), o médico é conhecido como um companheiro. Os bolsistas são capazes de atuar como médico assistente ou médico consultor no campo generalista em que foram treinados, como medicina interna ou pediatria. Depois de completar uma bolsa na subespecialidade relevante, o médico pode praticar sem a supervisão direta de outros médicos dessa subespecialidade, como cardiologia ou oncologia.

Qual a sua recordação mais forte da cidade natal? Sente falta de quê?

Passei minha infância e adolescência na cidade de Tapera. São recordações de todo esse tempo da minha vida, o carinho dos meus pais, a casa da vó Udi, a família reunida, os amigos da família, os amigos da escola, os amigos da rua, os amigos dos amigos, os primos da cidade e os de fora, a família dali e a da capital. O ballet, o CTG, as aulas de música, de inglês, de pintura. Eu cresci rodeada de gente amiga. As pessoas crescem juntas em Tapera, em todos os sentidos. E isso é muito lindo, Tapera é muito amor. E tudo o que eu vivi me dá a base para continuar vivendo. Sempre que posso retorno.

E a bagagem profissional adquirida?

Acabei minha formação trabalhando para o Sistema Único de Saúde (SUS). Após a residência médica, além de manter atendimento ao SUS, prestei serviços a clínicas populares e a clínicas particulares onde atendo convênios médicos e também de forma particular. Os atendimentos variam da clínica geral dermatológica a pequenos procedimentos cirúrgicos e estéticos. Vai desde a detecção do câncer de pele à aplicação de botox e preenchimento, por exemplo.

Lara com a irmã Clarissa e os pais, Cíntia e Jaime Mombelli