Pessoas de bem e Novo Brasil: do que se trata?
6 fevereiro 2017 |
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De uns tempos para cá, multiplicam-se por toda parte os que se autointitulam e falam em nome das “pessoas de bem” ou dos “brasileiros decentes”.

Há muitos também que se apresentam como porta-vozes de um “novo Brasil”, a se contrapor, imagino, ao que consideram velho e deve morrer.

Do que se trata? É o embrião de um novo partido (mais um?!), uma nascente corrente filosófica ou seriam membros de algum desses institutos que pululam por aí defendendo a liberdade de expressão e o livre mercado?

Podem ser encontrados nas redes sociais, em colunas de leitores dos jornais e em blogs diversos. Curiosamente, apresentam-se todos como “apolíticos” e “apartidários”.

A bandeira que os une é um discurso enfezado contra os corruptos e a corrupção (dos outros), como se todos eles e seus amigos pagassem seus impostos em dia, fossem respeitadores das leis trabalhistas e do trânsito, e vivessem em estado de graça permanente, sem pecados.

Alguns eu até conheço, e sei que não é bem assim.

À parte a hipocrisia e o cinismo inerentes a esta postura de zeladores dos bons costumes, da família e da propriedade, típica da triunfante nova ordem trumpiana, o que esta turma estimula é a intolerância, a divisão e a violência.

Quem pensa diferente é inimigo a ser abatido pelos donos da pós-verdade que dividem o mundo entre quem manda e quem obedece, que se danem os fatos, os números e a realidade.

Onde fica este “Novo Brasil” habitado unicamente por “pessoas de bem”?

Os “outros”, todos aqueles que não pertencem a esta corte de eleitos virtuosos, só podem ser do mal. Não deveriam frequentar os mesmos clubes, restaurantes e aviões. São a razão da nossa desgraça.

Só gostaria de saber quem foi que elegeu ou nomeou esta nova legião de imaculados guardiães da pátria, sempre se colocando acima dos simples mortais para dizer quem presta e quem não presta.

Nas horas ociosas, dedicam-se a ensinar aos donos dos poderes o que devem fazer para salvar o país. Pelo jeito, não estão sendo muito ouvidos.

(Ricardo Kotscho, publicado em 01/02/2017)