Presidente da Coopeagri fala sobre o bom momento da cooperativa e revela projetos
29 julho 2017 |
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Coopeagri completa 17 anos de atuação em dezembro

A Coopeagri – Cooperativa de Pequenos Agropecuaristas de Ibirubá Ltda. foi criada em dezembro de 2000, a partir da organização dos grupos de base do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), que a época tinha Nelson Barden como presidente. Os grupos se reuniam para debater necessidades em comum, como a falta de crédito subsidiado para pequenos produtores, políticas de seguro agrícola, a necessidade da criação de um programa de habitação rural e uma série de outras demandas. À medida que o debate foi avançando, surgiu a ideia de criar uma organização que pudesse dar suporte aos pequenos agricultores na produção e comercialização do leite cru resfriado.

A cooperativa surgiu, portanto, em função de um conjunto de questões, mas o fator determinante foi a dificuldade que os produtores tinham para vender o leite a um preço melhor. A cooperativa entrou em funcionamento efetivo em julho de 2001, inicialmente atuando na coleta e comercialização do leite. Com o passar dos anos, os associados sentiram necessidade de expandir as atividades e a cooperativa passou a atuar noutros ramos.

Avaliação da conjuntura

A Reportagem esteve na sede da Coopeagri conversando com Lecian Conrad. Exerce um segundo mandato desde março de 2016, tendo como vice Luís Bourscheidt.

Hoje, a cooperativa conta com 904 associados, 19 funcionários e está presente em oito municípios. Além da atividade leiteira, atua também na área de grãos (culturas de inverno e verão), insumos, assistência técnica, serviços (elaboração de projetos de crédito, custeio e investimento rural e programa de habitação rural) e na comercialização de alimentos. São mais de 30 itens para a Merenda Escolar, vendidos para escolas de Ibirubá (incluindo o IFRS), Quinze de Novembro e Selbach, dentre produtos in natura e beneficiados nas quatro agroindústrias vinculadas à cooperativa em Ibirubá.

Outro grande destaque são as feirinhas que acontecem aos sábados pela manhã, das 8h às 11h, que iniciaram em outubro de 2015. Os produtores aprovam: é oportunidade de vender seus produtos diretamente ao consumidor. “Este é o papel da Coopeagri, estar junto com o produtor em qualquer atividade que este desejar desenvolver e, com isso, contribuir com maior geração de renda para o município. Assim também contribuímos para evitar o êxodo rural, pois várias famílias optam pela diversificação de sua produção justamente para incentivar a permanência dos jovens no meio rural. Isso é perceptível, inclusive, em nossa feira aos sábados, pois em quase todas bancas há a participação de jovens”, relatou Lecian.

Projetos para o futuro

Atividade leiteira – Há iniciativas para beneficiar ainda mais o produtor rural associado. Na atividade leiteira, a intenção é intensificar a assistência técnica para qualificar e aumentar a produção, bem como continuar prestando bons serviços na coleta e comercialização do leite cru resfriado, visto que a cooperativa não possui uma planta industrial. “Queremos avançar bastante na questão do acompanhamento da produção e aperfeiçoar nosso Programa de Fomento à Produção Leiteira. Nossa intenção, através da assistência de nosso médico veterinário e técnico agrícola, é qualificar os produtores de leite, especialmente aqueles menores, que encontram sérias dificuldades no dia a dia. Queremos viabilizar uma forma para que nossos profissionais acompanhem de forma sistemática a produção. Hoje, a cooperativa tem 80 produtores de leite associados”, disse.

Ampliação da unidade de grãos – Existe um projeto para dobrar ainda este ano a capacidade de armazenagem de grãos da unidade 2 da cooperativa, junto à ERS 223. Hoje, a capacidade estática do armazém é de 45 mil sacas, o que deve passar para 90 mil sacas.

Mais contratações – A cooperativa também está estruturando seu quadro de funcionários, para dar conta dos serviços de assistência técnica de forma mais sistemática na área de grãos. “Hoje, temos em torno de 450 associados que nos entregam grãos, mas possuímos somente dois agrônomos para dar suporte a este número, ou seja, são muitos associados para poucos técnicos. Por isso, queremos ampliar também nosso quadro técnico, para que possamos estar mais presentes no dia a dia também na produção de grãos, assim como estamos na produção do leite”, disse Lecian.

SUSAF pode romper um paradigma

O último projeto revelado por Lecian – talvez o mais ousado – diz respeito a melhorias significativas no beneficiamento e comercialização de produtos de origem animal. “Existe um projeto a médio e longo prazo que estamos discutindo com o poder público, que é a questão do processamento de produtos de origem animal. Hoje, em função das exigências legais por parte da vigilância sanitária no comércio desses produtos, advindos dos produtores rurais, há uma necessidade de oportunizar a eles a venda de uma forma totalmente legalizada. Nós, enquanto cooperativa, temos uma perspectiva de que, em conjunto com um grupo de cerca de 20 produtores que hoje trabalham com algum tipo de beneficiamento animal no município, possamos estruturar essa cadeia e montar uma infraestrutura para que a cooperativa possa beneficiar esses produtos e que eles possam ser comercializados para todo o Estado, em feiras e mercados. Por isso, estamos no aguardo da aprovação de toda a legislação necessária a nível local, ou seja, do serviço de monitoramento da inspeção municipal”.

“Na sequência, o município deverá fazer sua adesão ao SUSAF (Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte). Aí então, esperamos poder montar um estabelecimento de processamento de produtos de origem animal. Uma vez estando legalizado pelo serviço de inspeção municipal e este esteja de acordo com o serviço estadual via SUSAF, os produtos aqui processados poderão ser vendidos para todo o Estado. Hoje, os produtores estão apreensivos com a fiscalização. Por isso, além da cooperativa comprar a matéria prima, processar e vender, pretendemos também construir uma estrutura que esteja disponível aos produtores para que eles mesmos possam beneficiar os produtos, tal qual como fazem hoje, porém de forma legalizada. Ainda estamos em busca de um local para isso, o qual funcionará como a unidade 3 da cooperativa”, revelou o presidente.