Agricultura
Produção orgânica na região: será possível?
24 junho 2017 | Agricultura
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Sempre quando alguém fala em agroecologia e produção orgânica ou sustentável no Brasil, aparece uma série de questionamentos: Produzir sem agrotóxicos dá muito trabalho? Será que é possível em grandes e médias propriedades? Como faço para vender meu produto? Hoje, a agricultura orgânica é uma alternativa viável com o potencial de melhorar a vida de muita gente. Para termos uma ideia da dimensão da produção orgânica no Brasil, de acordo com o Governo Federal, ela já é praticada em 950 mil hectares, por mais de 11 mil famílias. Só no Rio Grande do Sul, são aproximadamente 1.500 famílias.

Em razão da aliança entre pesquisadores e produtores, hoje há tecnologia suficiente para criar sistemas de produção com baixíssimo impacto ambiental, e que, ao mesmo tempo, proporcionem condições de trabalho e renda adequadas aos agricultores e alimentos saudáveis para a sociedade. A grande diferença entre a produção sustentável orgânica e a convencional é que a tecnologia utilizada tem como base o conhecimento de processos ecológicos, e não induz ao agricultor a compra permanente de insumos.

Um exemplo de tecnologia que hoje é fundamental para a agricultura orgânica, estudada pela Embrapa e algumas universidades em Ibirubá nos anos 70 e 80, é uso do plantio direto com rotação de culturas, associada à implantação de curvas de nível. Quando pensadas, estas técnicas previam diminuir a poluição dos rios, como por exemplo os rios Jacuí e Pinheirinho, evitando a erosão e promovendo o acúmulo de matéria orgânica e nutrientes no solo (+ matéria orgânica, – custos de produção). Hoje sabemos que, por quebrarem o ciclo de inúmeros organismos prejudiciais presentes no solo, essas técnicas têm o potencial de inibir doenças e pragas, além de beneficiar uma série de fungos, bactérias e outros organismos que interagem positivamente com as plantas, competindo com aqueles prejudiciais às culturas. Alguns destes organismos do solo beneficiados também disponibilizam nutrientes, como o potássio e o nitrogênio para as plantas, proporcionando ainda mais economia ao produtor. Caso queiramos acelerar o aparecimento destes organismos em uma área, alguns deles já estão disponíveis em lojas especializadas.

Em nossa região, temos alguns exemplos isolados de produção orgânica, mas com um potencial enorme para expandir, visto a grande capacidade de trabalho e mobilização dos produtores. Imagina se tivéssemos a maioria dos nossos produtores em Ibirubá e região produzindo de forma mais sustentável? Agora, imagine poder ir ao supermercado comprar carne, leite, manteiga, frutas e hortaliças consciente sobre a forma como é produzido o que consumimos. Até a pescaria ou banho no alagado faríamos com mais gosto. E, ainda, imagine que o agricultor que está produzindo não está sendo prejudicado pelos agrotóxicos aplicados. Se como produzir alimentos orgânicos já não é mais um problema, a pergunta que permanece é: Por que não expandimos ainda mais uma proposta de agricultura que traga melhor qualidade de vida para as pessoas e respeito à natureza?

 

IMAGEM: Mapa com a distribuição das unidades de produção orgânica no Brasil. Fonte: MAPA – Governo Federal

Luiza Baggio – Arquiteta e Urbanista

Rodrigo Baggio – Engenheiro Agrônomo