Promotora de Justiça analisa situação da saúde em Ibirubá
7 outubro 2017 |
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Suzane Helfeldt: “Se não tratarmos bem a saúde, não adianta nem pensar no próximo plano, que é a educação. Prefiro um hospital deficitário de portas abertas do que um hospital padrão de portas fechadas”

Após a transferência de Roberto Alvim para Taquari, Ibirubá conta desde julho com promotora substituta Suzane Helfeldt, do MP de Espumoso. Duas vezes por semana, geralmente nas segundas e quintas-feiras, ela vem despachar em Ibirubá.

A contratação de titular depende da realização de Concurso Público. Como não há previsão, a Promotora Suzane deve atuar na comarca pelo menos até o final do ano.

Esta semana a promotora de justiça concedeu entrevista à Reportagem do VR, sobre a saúde. No último dia 25 houve uma reunião com o prefeito Abel Grave, o administrador do hospital Odair Funck, assessoria jurídica do município e representante da Empresa de Profissionais do Alto Jacuí, contratada pelo município para assumir os plantões junto ao hospital, sobre duas denúncias quanto ao atendimento. Estas ocorreram há cerca de um ano e dão conta de falta de médicos no plantão do hospital.

O plantão do Hospital Annes Dias funciona das 19h às 7h do dia seguinte, através de profissionais da empresa contratada. “O atendimento básico deve ser prestado pelo município. Como é inviável manter os postos de saúde abertos 24 horas por dia, o atendimento é realizado junto ao hospital, mas o contrato é custeado pela Prefeitura”, explicou Suzane Helfeldt.

“Os plantões são somente para casos urgentes, e não quando a pessoa passou o dia sem procurar o médico e aí decide ir consultar no plantonista às 19h. Neste sentido, faço um apelo para que as pessoas se conscientizem. Assim como existe alguém necessitando de uma simples consulta, ao seu lado pode ter um pai com uma criança ardendo em febre. O plantão deve ser encarado como local onde as pessoas buscam atendimento urgente, não consultas que poderiam ter sido feitas há dias.”.

Sobreaviso e especialidades médicas

A Promotora Suzane frisou também que o primeiro atendimento será sempre realizado pelo médico plantonista, que é quem irá avaliar a necessidade de chamar um especialista ou não. “O sobreaviso não é chegar lá (no hospital) e exigir ser atendido por um traumatologista ou obstetra, por exemplo. As especialidades que devem sempre estar disponíveis no sobreaviso são o cirurgião geral, anestesista, pediatra, obstetra e clínico geral, mas que só serão chamados caso o médico plantonista entenda que se faça necessário chamar o profissional desta área. A comunidade precisa entender que não se pode chegar no plantão e exigir que quer era atendida por determinado especialista. O plantonista é o responsável por fazer esta avaliação e encaminhamento.

Como as unidades de saúde do município funcionam até às 17h e o plantão inicia às 19h, ocorre um lapso temporal. Assim, neste período, os funcionários do hospital irão chamar um médico para as pessoas que buscarem atendimento. A responsabilidade é do hospital, que faz a triagem.

Prefeito tem prazo para adequar sistema de fichas no Postão

A promotora também falou com o prefeito Abel e seu assessor jurídico sobre a distribuição de fichas no Postão. “É muito inviável o fato de que as pessoas tenham que ir um dia antes ou madrugar para pegar senha, para depois pegar a ficha e só então consultar. Por isso, o Prefeito se comprometeu em realizar ajustes em relação a esta situação, pois é sabedor das dificuldades. Ele terá um prazo de 30 dias, a conta do dia 25/9, para fazer os ajustes, do contrário irei chamá-lo novamente aqui (no MP). Talvez, melhorando este sistema de distribuição de fichas, a situação em relação aos plantões também melhore, evitando que as pessoas busquem no plantão uma consulta que pode ser feita durante o dia.

9ª CRS aponta irregularidades no hospital

Outro expediente que tramita junto ao MP é uma inspeção realizada pela 9ª Coordenadoria Regional de Saúde (9ª CRS/Cruz Alta), apontando irregularidades estruturais e aspectos de funcionamento do Hospital Annes Dias. “Em conversa com o administrador do hospital, constatamos que devemos e iremos ter toda a paciência para ajudar o hospital a se adequar aquilo que se faz mais necessário à população. Enquanto promotora, vejo que o hospital não tem condições de construir um centro de nutrição e dietética nos termos exigidos, pois, se isso tiver de acontecer, o hospital terá de fechar suas portas. E isso foi ponderado no inquérito civil: afinal, o que é mais importante para o munícipe? Não ter uma sala de nutrição e uma sala de lavanderia adequada ou não termos um hospital com as portas abertas? Se reclamamos hoje acerca de situações pontuais com o plantão, imagina se tivermos um hospital fechado, sem plantão nenhum? Prefiro um hospital deficitário de portas abertas do que um hospital padrão de portas fechadas”, ponderou a Promotora de Justiça Suzane Helfeldt.