Economia
Restrição ao leite em pó uruguaio pode ser boa notícia para produtores
26 agosto 2017 | Economia
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O presidente da Emater-RS/Ascar, Clair Kuhn, falou esta semana sobre pesquisa desenvolvida nos 435 municípios do Estado onde a instituição atua, quando foram levantadas as principais insatisfações dos produtores rurais quanto à atividade leiteira. Os dados serão apresentados na 40ª Expointer, que abre hoje e se estende até o próximo domingo (3).

Apesar de o produto ainda representar uma grande alternativa de renda para o produtor e ser um dos grandes responsáveis pela geração de recursos nos municípios, a queixa pelo baixo preço é unanimidade. Clair e pessoal da Emater investigaram.

O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat) relacionou o problema do preço do leite ao baixo consumo e à alta produtividade no inverno, principalmente na região Sul. “Eles (Sindilat) admitiram também que existe interferência no preço por conta de um estoque muito alto de leite em pó no Estado, devido ao grande volume de importação do produto vindo do Uruguai. De posse desta informação, fomos conversar com o Governador do Estado, José Ivo Sartori, que ficou de estudar uma possibilidade para revogação dos decretos que autorizam essa importação”, afirma Clair.

Após a visita ao governador, Kuhn foi também a Brasília, onde teve a oportunidade de conversar com o Ministro Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, também ligado à Secretaria Especial da Agricultura Familiar. “Mostramos ao ministro que a Emater responde por 220 mil famílias produtoras de leite no Estado, e que o preço em baixa representa, por sua vez, um grave problema para o RS. Se continuar assim, muitas pessoas irão abandonar a atividade que, além de representar o sustento destas famílias, injeta também muitos recursos na economia dos municípios e do próprio Estado. Padilha, por sua vez, ficou de conversar com o Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, para que na Expointer seja apresentada uma solução por parte do Governo Federal”.

Quinta-feira (24), Clair reuniu-se novamente com Sartori, que prometeu boas notícias sobre esta problemática da importação, as quais também serão apresentadas na Expointer. “Também tivemos a informação de que os ministros Maggi e Padilha estarão na feira, e lá repassarão alguma informação positiva acerca do assunto, principalmente ao pequeno produtor de leite”, disse o presidente da Emater.

Kuhn destacou, ainda, que sugeriu em Brasília que o Governo faça uma compra emergencial do estoque excedente do leite em pó no RS, e transfira o produto para doação no Norte e Nordeste, ou seja, nas regiões mais pobres do país. “A ideia foi levada em consideração por eles (Ministros). Essa compra do leite em pó em estoque seria uma medida emergencial para agora. Porém, para resolver em definitivo o problema, precisamos barrar a questão da importação e livre comércio do leite em pó do Uruguai e demais países do Mercosul”, explicou Clair.

Leite em pó do Uruguai

Segundo dados levantados pelo Sindilat, o Uruguai produziu 1,7 bilhão de litros de leite em 2016, e consumiu 700 milhões de litros. De acordo com informações divulgadas pelo próprio país, o saldo, se convertido em leite em pó, renderia 120 mil toneladas. Só o Brasil recebeu 100 mil toneladas de leite em pó e 18 mil toneladas em queijos do país vizinho, o que representa praticamente todo o volume restante.

“Tenho confiança de que o Governo do Estado encontrará uma solução para que o leite volte a ser valorizado e o produtor melhor remunerado, pois todos sabem da importância da agricultura familiar no RS. Também confio em uma proposta por parte do Governo Federal, que melhore um pouco mais a questão da importação. Creio então que teremos boas notícias na Expointer, que inicia neste sábado (26), às 15h, no Parque de Exposições de Esteio, onde a Emater estará presente também com diversas atividades”, finalizou Kuhn.

 

(atualizado)

Na Expointer

Ministro da Agricultura cogita cotas para barrar excessos na importação de leite uruguaio

País vizinho estaria sendo usado como entreposto para barateamento do produto que entra no Brasil, o que prejudica criadores de gado brasileiros

Por: Humberto Trezzi/Zero Hora

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, cogita estabelecer cotas para importação de leite uruguaio. Seria uma maneira de barrar excessos na entrada do produto no Brasil, o que tem prejudicado bastante produtores brasileiros. A suspeita é que outros países estão triangulando suas exportações, usando os uruguaios como meio de repasse para ingresso no disputado mercado brasileiro.

O Brasil, em 2017, foi destino de 86% do leite em pó desnatado do Uruguai e 72% do leite integral. Foram 41 mil toneladas de leite em pó importadas do território uruguaio no primeiro semestre.

– Não sabemos se todo esse leite realmente vem do Uruguai ou se outros países triangulam, usando o território uruguaio apenas para aproveitar as vantagens do Mercosul na exportação ao Brasil – pondera o ministro, que visitou a 40ª Expointer neste sábado, em Esteio (RS).

Maggi diz que o excesso de leite uruguaio no Brasil prejudica milhares de produtores do nosso país. Só no Rio Grande do Sul existem mais de 100 mil produtores de leite, admitiu ele.

Há tarifa zero para importação e não existem cotas. Além disso, há notícia de que leite às vésperas do vencimento está sendo exportado, o que pode causar problemas sanitários.Mas Maggi afirma que isso pode mudar em breve. Uma das alternativas estudadas é proibir que programas governamentais comprem leite uruguaio não embalado no estabelecimento de origem. Outra é aumentar exigência da validade do produto.

A posição de Maggi atende a pedidos do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat).