Sem receber salários de setembro, Polícia Civil entra em greve no Rio Grande do Sul
7 outubro 2017 |
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Decisão pela greve foi tomada em assembleia da categoria

Sem receber nenhuma parcela dos salários de setembro, os policiais civis do Rio Grande do Sul decidiram em assembleia geral, nesta quinta-feira (05), partir para a greve como forma de pressionar o governo do Estado. A mobilização começa na próxima segunda-feira (09) e segue até o dia 17 ou até que o governo integralize a folha. Dia 11 de outubro, uma nova assembleia deve avaliar o andamento do movimento.

Além dos parcelamentos e atrasos, os policiais reclamam por promoções atrasadas, demissões de servidores que tiveram processos administrativos e pela situação das carceragens de delegacias superlotadas, que se arrasta desde 2015.

Na quarta-feira, representantes da categoria dos policiais foram convocados para uma reunião com a cúpula do governo, no Palácio Piratini. A tentativa do governo era fazer com que o sindicato desistisse da greve. Estavam presentes os secretários de Modernização Administrativa e Recursos Humanos, Raffaele Marsiaj Quinto Di Cameli, e da Casa Civil, Fábio Branco, além do governador José Ivo Sartori (PMDB). O secretário de Segurança Pública, Cézar Schirmer (PMDB), não participou da negociação.

“O governo fez uma série de propostas, como resolver a questão das aposentadorias, a isenção do ICMS para compra de armas, resolver o problema da PGE que está demitindo servidores inocentados pelo Conselho. O principal, que é a questão do salário, o governo se comprometeu que parte desse dinheiro será reservado para o 13º e para os salários de dezembro”, diz Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm (Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil do RS).

Em cima do carro de som, colocado em frente ao Palácio da Polícia, para votação da assembleia da categoria, Ortiz classificou o diálogo com o governo como “duro” e que, por isso, teria precisado de interlocutores para mediá-lo. “Vimos o governador extremamente irritado”, afirmou ele. “Estávamos dispostos a negociar e não brigar, mas acabamos brigando e negociando”.

Segundo relatos do próprio sindicato, apesar das ofertas colocadas na mesa, pelo governo, o Piratini deixou claro que não poderia garantir duas das principais demandas da Polícia: o fim definitivo dos parcelamentos e a efetivação das promoções atrasadas. Estas últimas, depois de terem a data adiada por três vezes, este ano, o governo afirmou que não poderão sair. O chefe da Casa Civil explicou ainda que nunca autorizou ninguém a falar a respeito do assunto e oferecer uma data de prazo.

Antes da assembleia, representantes do sindicato se reuniram mais uma vez com o chefe geral da Polícia, Emerson Wendt, em uma mais uma tentativa do governo de segurar a greve.

“Para travar uma greve, a primeira coisa que eles têm que fazer é tomar vergonha e pagar os salários em dia. Temos que partir para a greve, porque só as paralisações não estão dando certo”, afirmou um dos policiais que subiu ao carro de som.

Alguns deputados acompanharam a movimentação de servidores. Entre eles, o presidente da Comissão de Segurança Pública, Ronaldo Santini (PTB), e Pedro Ruas (PSOL). Ruas comentou a decisão do governo de colocar ações do Banrisul à venda, no mesmo mês em que deixou boa parte do funcionalismo sem receber nenhuma parcela.

“O governo elegeu como inimigos os servidores públicos e tenta passar isso para a população pela grande mídia. Os inimigos são os sonegadores, quem não paga suas dívidas, mas com eles o governo não mexe”, analisa o parlamentar. “Nós temos R$ 9 bilhões por ano em isenções fiscais, nem todas foram inventadas pelo Sartori, mas ele aumentou muito. Nós temos R$ 7,8 bilhões por ano de sonegação fiscal, tem gente que está na lista de sonegadores e na lista de quem recebe benefícios fiscais”.

Em uma decisão recente, o Supremo Tribunal Federal (STF) afirma que servidores da segurança pública não poderiam mais fazer greve. Considerado um dos serviços essenciais, a partir da próxima segunda, a Polícia Civil gaúcha estará trabalhando com 30% do seu efetivo.

 

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Fernanda Canofre