STR de Ibirubá completou 55 anos
1 agosto 2017 |
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Leonir Fior

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais completou em julho 55 anos de atuação no Município de Ibirubá. Em 1962, um grupo de agricultores se reunia semanalmente para debater sobre suas principais necessidades e reivindicações, e uma comissão fundou o Sindicato no dia 07/07/1962. Etelvino Ristow foi eleito o primeiro presidente.

De lá para cá, são 55 anos trabalhando para dar continuidade aos trabalhos em defesa da agricultura. Atualmente, o presidente é Leonir Fior, reeleito este ano para seu segundo mandato no quadriênio 2017-2021. O quadro de sócios atual ultrapassa os 700 produtores.

Reforma trabalhista e previdência social

Quanto às reformas que estão sendo propostas pelo atual Governo, as quais mexem com a aposentadoria e direitos trabalhistas de milhões de brasileiros, o presidente Leonir Fior destacou à Reportagem do VR a insatisfação com a perda de importantes direitos conquistados pelos agricultores.

Sempre atento às causas sociais e participando ativamente de manifestos e mobilizações que vão contra os direitos dos agricultores, ele destaca que a Reforma Trabalhista, aprovada pelo Senado e Governo Federal há algumas semanas, se fazia necessária, mas não da forma absurda como foi apresentada, com perdas de direitos importantes dos trabalhadores da cidade e do campo.

A votação da Reforma da Previdência, embora tenha sido adiada, deve acontecer nos próximos meses.

Dentre as principais mudanças, a contribuição sindical de um dia de trabalho dos trabalhadores urbanos e rurais não será mais obrigatória, e sim opcional. “Outra grande mudança será em relação à rescisão contratual entre empregado e empregador. Antes, o Sindicato podia auxiliar o escritório a fazer os cálculos de direito do trabalhador, justamente para evitar que este tivesse perdas com a rescisão. Agora, a rescisão será feita somente entre empregador, empregado e advogados, o que obrigará o trabalhador a tirar do próprio bolso os honorários do profissional do Direito contratado”, explicou.

Além disso, Fior afirmou que, a partir de agora, o trabalhador rural, além de pagar a contribuição de 2,1% sobre tudo o que vende, terá de pagar uma contribuição mensal ao Governo. “O Bloco de Produtor Rural não terá mais valor para comprovação de atividade rural. Logo, os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais serão os responsáveis por efetuar um cadastro especial dos agricultores que irão contribuir com a Previdência. Para tanto, seremos os responsáveis por dizer quem irá se enquadrar como produtor e quem não vai, teremos que estar bastante atentos a isso, pois será de nossa responsabilidade evitar que qualquer pessoa possa contribuir e se aposentar como agricultor”, destacou.

Quanto ao Plano Safra, Leonir destacou que a classe do trabalhador rural e os sindicatos esperavam que houvesse mais queda no valor do juro aos pequenos agricultores, mas que, infelizmente, somente o juro voltado à Agricultura Familiar (responsável por 70% da produção de alimentos no país) não despencou, ao contrário dos juros dos demais, que tiveram queda.

Culturas de inverno

Fior destacou a redução na área de plantio do trigo este ano em Ibirubá – reduzida em torno de 30%. Já que a safra do ano passado foi considerada satisfatória, Leonir destacou que o motivo determinante para esta redução foi o preço do cereal, que cada vez desmotiva mais o agricultor a continuar trabalhando com a cultura. Em contrapartida, uma cultura que teve aumento de cerca de 8% na área de plantio no município foi a canola, cultura ainda de certa forma desconhecida, mas que aos poucos está sendo explorada pelo produtor rural na região.

Sucessão familiar

Fior concorda que sucessão familiar é um assunto difícil de ser debatido. Nos encontros mensais com presidentes de todos os Sindicatos da região, a opinião de que a situação se agrava é unânime, em todos os municípios. Ao passo em que os STRs perdem muitos associados antigos devido à morte por idade avançada, fica cada vez mais difícil conseguir novos associados jovens. “Isso se deve, em grande parte, ao fato de que a população jovem rural está diminuindo, pois hoje em dia os casais optam por ter menos filhos do que antigamente. E, além disso, a vida na cidade é bastante atrativa aos jovens, pois em municípios como Ibirubá está cada vez mais fácil arrumar emprego urbano, que tem horários regrados. A vida no campo, muitas vezes, requer trabalho em finais de semana, feriados e fora de horário. A falta de renda também os motiva a migrar para a cidade, pois aos pequenos agricultores geralmente não sobra muito no final do mês. Mas o Sindicato, em parceria com as cooperativas e Emater, sempre procura estar ao lado do produtor o auxiliando na diversificação de atividades e estimulando a sucessão familiar. Estamos aí justamente para isso, para atuar em defesa do produtor rural em suas mais diversas causas e reivindicações”, concluiu.