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Taperense Vinícius Guedes é campeão da Série B com a Chapecoense
8 fevereiro 2021 | Esporte
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“Ser o primeiro taperense Campeão Brasileiro é muito gratificante. Sempre trabalhei muito pra alcançar isso. Tudo aconteceu muito rápido, participando, ajudando o grupo, estando presente dentro de campo, então eu fico muito feliz, muito honrado, em poder levar o nome de Tapera e região”.

Na última sexta-feira, 29 de janeiro, a Chapecoense sagrou-se campeã da Série B e está de volta à série A, dois anos após ser rebaixada e quatro anos após o acidente que vitimou 71 pessoas, entre elas vários jogadores da equipe.

Um dos jogadores destaques foi Vinicius Guedes, de 21 anos, natural de Tapera. O atleta, que joga como primeiro volante, começou sua carreira nas categorias de base do América de Tapera. Aos 11 anos foi parar no Inter, desde os 17 anos está no clube em Santa Catarina. Em 2020 ele entrou no profissional e é titular absoluto desde então. Ele já havia ganho o campeonato catarinense em 2020. Vini tem 100% de seus direitos econômicos pertencentes à Chapecoense com a qual tem contrato até 2023.

Vinícius compartilhou sua trajetória para o Jornal da Integração

O Atleta começou jogando futebol de rua, pois segundo ele, sua família não tinha condições de pagar uma escolinha de futsal. Quando Vinícius completou oito anos de idade, sua avó Salete deu de presente para ele a inscrição da Escolinha do América, onde permaneceu por um ano e meio. O atleta também jogou no ADAJ em Tapera e com quase 10 anos de idade foi para o Russo Preto de Não-Me-Toque, onde jogou no Campeonato Estadual, indo para a Final. Os Olheiros do Internacional estavam presentes neste campeonato em Não-Me-Toque, “eles me chamaram no ano seguinte para ir para Porto Alegre para fazer um teste. Fui pra lá, minha família me apoiou em tudo, passei no teste e assim a gente foi morar pra Porto Alegre. No início minha mãe, Valéria, foi comigo e depois foi minha avó Salete. Ficamos cinco anos em POA e de lá eu vim pra Chapecó, que foi meu segundo time. Estou aqui desde 2016, então são cinco temporadas aqui e já me sinto em casa”, conta Vinícius.

O atleta sempre teve o apoio da família, “desde que o Olheiro do Inter falou comigo, minha família sempre pediu o que eu queria e qual era minha vontade e sempre deixaram nas minhas mãos a escolha, e como foi meu sonho desde os cinco anos de idade, eu tinha prometido pra minha mãe que eu ia ser jogador de futebol e que eu ia ajudar ela, então eu decidi ir, mesmo novo, eu tinha 10 pra 11 anos. Sair de casa foi um momento bem difícil, ter que deixar os amigos, minha irmã Joana e minha avó foi um dos momentos mais difíceis que passei até agora, mas hoje vejo que tudo valeu a pena”, frisa.

Vinícius lembrou da importância de sempre estar preparado para fazer mais de uma função, sempre pronto para ajudar. “Isso é muito importante, inclusive esse ano na Série B como a gente está sem lateral direito, com dois jogadores machucados, eu tive que me adaptar pra ajudar o grupo e graças a Deus eu consegui fazer bem essa função”.  

Na Chapecoense, Vinícius começou no Sub 17, e foi a primeira vez que ele se desligou da família, “aqui foi a primeira vez que eu enfrentei tudo sozinho, foi o momento que eu amadureci muito na minha vida, na carreira e para mim, as coisas aconteceram rápido aqui”.

Foram vários momentos marcantes para Vinícius, mas para ele “o que mais marcou foi meu primeiro jogo na estreia do profissional, a minha família estava no estágio, e eu pude marcar o gol, acho que foi um dos momentos mais marcantes que eu tive até agora e fora os títulos, o primeiro título estadual que já veio no primeiro campeonato, posso dizer que tenho um ano de profissional mas foram vários momentos marcantes, tanto Tapera como a região”.

Vinícius sempre foi muito esforçado, segundo ele, foi muito sofrido, muito doido até agora, mas chegar no profissional é ainda mais difícil, mais concorrido. “A gente quer se manter em alto nível, crescer ainda mais, a concorrência é muito grande, então foram duras batalhas, e ainda são, principalmente por tudo que abrimos mão, como sair final de semana, estar perto da família, perto dos amigos, ter um lazer, ficar muito tempo longe de casa, então são muitas coisas que a gente deixa de fazer pra alcançar esse objetivo”

Na Chapecoense, segundo Vinícius, sempre é trabalhado com uma frase: Pagar o Preço. “Então durante o ano todo a gente pagou esse preço de abrir mão de tudo que a gente gosta de fazer, pra poder ser Campeão Brasileiro, poder ser campeão estadual, retornar à Série A, então, acho que isso é ao longo da carreira também, a gente sempre está abrindo mão de muita coisa para poder conquistar, e eu fico muito feliz de ter conseguido tudo isso”.

O atleta deixa sua mensagem para Tapera e região:

“Queria muito agradecer ao carinho, a torcida de todos, mesmo longe a gente sente as energias positivas, eu sou muito grato por tudo, recebi mais ainda esse carinho de perto, e fico muito feliz por isso. E meu recado para a rapaziada que sonha em ser jogador, é acreditar nos seus sonhos, principalmente acreditar no seu potencial, pagar o preço, abrir mão de tudo que for preciso, é doído, sofrido, o caminho é longo, é árduo, mas o que eu tenho a dizer é que hoje eu faria tudo de novo, é gratificante demais, vale a pena, as vezes eu olho pra trás e não tenho nenhuma mágoa do que eu deixei de fazer, porque é gratificante demais você realizar um sonho, ver seus familiares juntos realizando esse sonho, é o preço que tu paga mas que vale a pena”.