Educação
Uma visão do professor, em meio a pandemia?
15 junho 2021 | Educação
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*Andréia Comin

Em tempos escuros à história da humanidade, diante do medo de perder aquilo que nos é tão precioso, a vida, veste-se de coragem, fé e esperança e se segue um dia de cada vez, semana após semana, mês a cada mês.

Vivendo em meio a uma pestilência mundial a saúde pública sugeriu, pediu e permanece pedindo o distanciamento social, para que assim, não seja necessário chegar ao isolamento. Mesmo com o apelo da Organização Mundial da Saúde, os cuidados solicitados nem sempre foram considerados. Por inúmeros motivos, que vai da ignorância até ideologias extremas.

Partindo desse momento espaço-temporal, o qual vivencia-se, entre tantos profissões importantes e fundamentais no alento ao combate a essa praga, há os profissional da educação, professores, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, gestores escolares, secretários de escola, atendentes, recreacionistas, recepcionistas a “tia” da merenda (figuras muito queridas nas escolas), o atendente da cantina, porteiros, zeladores, responsáveis pela limpeza (em tempo de pandemia profissionais que cuidam de todos e tudo), bibliotecários, enfim, cada instituição de ensino com seu quadro de recursos humanos, porém todos trabalhando pela educação. Profissionais esses, como tantos outros, precisaram se reinventar diante do vírus letal. Esse que não permite aproximação física. Nesse quadro de profissionais da educação, a figura do professor é aquela à qual, mais apresenta celeuma em meio a sociedade. Os professores são indagados, questionados quanto ao trabalho remoto, recebem conceitos e são acompanhados em seus fazeres bem de perto. Nem sempre recebem conceitos verídicos, muitas vezes generalizados e em falas visivelmente empíricas e em perspectiva alguma vezes voltadas ao egocentrismos, por outro, lado encontra-se conscienciocentrismo, altruísmo e empatia.

Então, quem é o professor em meio a pandemia? É aqueles que escolheu trabalhar com pessoas, independente do momento, não abandonou seu olhar no horizonte transformador de histórias.  Dedicou-se quanto professor a aprender para ensinar e jamais deixando de estudar, pois os novos aprendizados os desafiam todos os dias, para que possam dar conta de preparar os seus estudantes para o mundo onde o saber é fundamental. Na pandemia, desaprendeu para reaprender, reinventou-se, investiu no melhor que podia para fazer o melhor aos seus estudantes. Em nenhum instante, abandonou a vontade de mediar o aprender de seus estudantes e a esperança na educação. Mesmo quando sentiu-se desvalorizado. Investiu em aparelhos tecnológicos e curso de aperfeiçoamento, mesmo quando não podia, sentiu prazer em fazê-lo, pois são assim, são professores, o fazer para transformar o conhecimento do outro é seu trabalho.

Sua sala de aula se abriu a toda gente, suas casas passaram a receber seus estudantes e os familiares deles. Passou a receber colegas de trabalho. Sim, toda essa gente, virtualmente, abriu sua casa para exercer sua profissão, pois a profissão de um professor, há muito de generosidade. Foi apresentado ao trabalho remoto ao mesmo tempo aprendeu e ensinou. Temerosos, procurando os melhores caminho nesse desvelar virtual, quando não os encontrou, os criou. Sabe do seu dever com sua profissão e com a sociedade.  Mesmo quando criticado com palavras e atitudes duras e algumas até cruéis, não “cruzou os braços”, ao contrário, foi e está sendo incessante na busca para que a educação aconteça da forma menos prejudicial àqueles que de fato os inspiram, seus estudantes. Então, quando as críticas são dolorosas, cada um reage a sua maneira. No entanto, segue, e o motivo é simples, os seus estudantes merecem seu trabalho, esforço, dedicação e persistência.

Há consciência que o atual período da pandemia apresenta desafios também aos estudantes. Muitos sentem dificuldade para dar andamento às atividades educativas com a transformação da aprendizagem para o ambiente virtual, diferente da forma que estava acostumado. Mesmo distante o SOE (Serviço de Orientação Educacional) busca acolher, ouvir e acompanhar os estudantes, levando em conta suas emoções e seus sentimentos, propondo novas estratégias já que agora distantes, não há mais o contato próximo, ou expressões de afeto físico.

Alguns estudantes e pais precisaram de atenção especial, para superar os desafios emocionais e educacionais. Os profissionais do SOE, que já faziam o acompanhamento do aluno presencialmente na escola, agora continuam o trabalho por telefone ou indo a casa, buscando atender e interagir com as famílias e, particularmente, com os alunos, quando necessária. A busca ativa tem sido diária, dialogando com as famílias e estudantes sobre a participação e realização das atividades remotas.

A Orientação Educacional em tempos de pandemia tem priorizado a escuta sensível e o olhar observador para cada estudante e sua família, ficando atento ao equilíbrio emocional e à saúde mental dos estudantes e suas famílias. Ajudando assim, a diminuir as chances de evasão.

Enquanto isso, a coordenação pedagógica, constrói estratégias pedagógicas, pois é mais importante que nunca, desenvolver a empatia dos estudantes, ser tolerante em relação as habilidades a serem cumpridos, rever as expectativas e objetivos para cada trimestre letivo, observando os que necessitam de maior apoio pedagógico, verificando prioridades no aprendizado. Pensando juntamente com o professor atividades para repor aquilo que não foi alcançado.

A pandemia acentuou a diferença entre aqueles que tinham mais dificuldades de aprender; exigiu um novo professor, que se adaptou à novas tecnologias, novas metodologias, transformando-se. A inclusão no processo do aprender foi e é direito antes, durante e depois da pandemia.

E o professor está preparado e aperfeiçoando-se para como em uma missão de paz, durante e após o confronto entre o vírus letal e a vida, recuperar ou amenizar o que foi perdido no caminho da vida escolar, concomitantemente ao apoio sociomocional aos seus estudantes. O caminho é diferente, difícil, mas para um convicto professor, o ato de ensinar é possível até mesmo em meio a pandemia. Em tempo de pandemia o professor é aquele que persiste fazendo com generosidade o ato de ensinar o que sabe, coerentemente demonstrando em suas atitudes o que ensina e humildemente aprendendo o que desconhece. Quando sufocado em tabelas e planilhas para provar que está cumprindo seu trabalho, angustia-se por um instante, e segue. Professor pode der um condutor de transformação, quando um estudante passa por ele, provavelmente não será o mesmo de antes de tê-lo encontrado.

 

* ANDRÉIA COMIN nasceu em Espumoso/RS em 08/02/1979 e é graduada em Geografia (licenciatura e bacharel) pela Universidade de Passo Fundo (UPF). É pós-graduada em Docência em Educação de Jovens e Adultos; Educação a Distância: Gestão e Tutoria; Supervisão Escolar e Orientação Educacional e Gestão Escolar.

Já lecionou as disciplinas de Geografia, História, Ensino Religioso e Projeto de Literatura em mais de 15 escolas de Passo Fundo, Marau e Carazinho, atuando como professora, diretora, vice-diretora e coordenadora pedagógica.

Uma das autoras do livro Ao professor, a palavra (org. Jana Lauxen, 2020, Editora Os Dez Melhores). Título do texto: Gestando na sala dos professores.

Atualmente mora em Carazinho;RS; é coordenadora pedagógica na Escola Municipal de Ensino Fundamental Alfredo Scherer, e também coordenadora pedagógica na Escola Estadual de Ensino Médio Marquês de Caravelas.

E-mail para contato: [email protected]